sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Hérnia de Disco

Hérnia de disco, protrusão discal, prolapso discal, hérnia extrusa, hérnia sequestrada... são todos termos referentes à nossa coluna e, quando o encontramos em algum exame ou ouvimos falar a respeito, sabemos que não é boa notícia que vem por aí. Mas o que são esses termos?

Todos eles referem-se a uma condição não ideal do nosso disco intervertebral.

A propósito, o disco intervertebral é uma espécie de “borrachinha” que fica entre as vértebras de nossa coluna. Ele serve para absorver o impacto que ocorre devido a nossa movimentação e para deixar as vértebras com um espaço adequado entre elas. Esse disco é arredondado quando visto por cima, e composto por fibras circulares que perfazem esse formato. Porém, no núcleo dele há um espaço, que seria vazio não fosse preenchido por um líquido composto em sua maior parte por água. A esse líquido damos o nome de núcleo do disco intervertebral.


Vamos aos termos que mencionamos:

Protrusão do disco: significa que não houve lesão nesse disco, mas o núcleo pressionou as paredes do disco na região central (onde esse núcleo é contido) de forma que o disco sofre uma deformação para fora de seu local usual, o que eventualmente pode comprimir estruturas, como as raízes nervosas, que estão fora do disco.

Hérnia de disco: é o termo mais popular, e ele significa que o núcleo do disco intervertebral saiu para fora de sua região no centro do disco, havendo ruptura das fibras do disco. Prolapso discal, hérnia extrusa e hérnia seqüestrada são os subtipos de hérnia de disco.

Prolapso discal: significa que o núcleo do disco saiu da região central, onde ele era contido, rompendo algumas das fibras que o circundavam e penetrando por outras regiões do disco, mas ainda estando contido dentro dele.

Hérnia extrusa: é a saída do líquido do núcleo para fora do disco.

Hérnia seqüestrada: é a hérnia que além de sair para fora do disco, perdeu a continuidade com o líquido do núcleo







E quais as consequências?


Todas essas condições podem gerar dores. A hérnia extrusa e a hérnia sequestrada são as mais significativas, pois além de ter ocorrido uma lesão no disco intervertebral, o que gera dor por si e promove uma resposta inflamatória, a hérnia vai pressionar estruturas localizadas atrás do disco. As mais comuns são o ligamento que fica logo atrás das vértebras, protegendo o canal vertebral (onde se localiza a medula espinhal), e as raízes nervosas (feixes de células nervosas que vem da medula e saem por canais laterais entre as vértebras, e dão origem aos nervos periféricos). Em hérnias muito graves, ela poderia passar através do ligamento e pressionar a medula espinhal em si, o que daria origem a mielopatia. Ou, quando acontecesse isso numa região bem baixa da coluna lombar, haveria a compressão não da medula (pois essa só vai até a 2ª vértebra lombar), mas da cauda eqüina (conjunto de nervos que continuam presentes no canal medular), e isso promoveria sintomas de dor, fraqueza nas pernas e descontrole de bexiga e esfíncteres (essa compressão da cauda eqüina é chamada de Síndrome da Cauda Eqüina).

As protrusões e herniações do disco são comuns na coluna lombar (onde mais acontece) e na região cervical, mas extremamente raras na coluna torácica.

Devido a possível compressão das raízes nervosas podemos ter dores com características que chamamos de radiculares, que são dores decorrentes da compressão ou irritação de raízes nervosas ou nervos. Essas características são uma dor aguda ou lacinante que pode vir acompanhada de formigamento, queimação, sensação de “choque”, diminuição da sensibilidade (como exemplo, você toca a pele de uma região mas não sente o toque), podendo levar a uma fraqueza dos músculos. Esses sintomas afetariam as áreas pelas quais a raiz nervosa é responsável. Para exemplificar, uma compressão de raiz nervosa logo abaixo da 5ª vértebra lombar poderia produzir esses sintomas na perna, que seria a região que a raiz nervosa inerva, sendo que poderia ocorrer diminuição da força ao tentar dobrar o pé para cima. Isso tudo seria similar ao que poderia ocorrer nos ombros, braços, antebraços ou mãos caso houvesse uma hérnia de disco cervical.

Acredita-se que o desenvolvimento de uma hérnia de disco ocorre de forma progressiva. Ou seja, a sobrecarga decorrente das suas atividades diárias e das posturas assumidas vai, progressivamente, machucando o disco. Ao longo do tempo isso acaba gerando uma protrusão ou uma hérnia. Sendo assim, o conselho que fica é o de estar sempre atento ao que é feito no dia-a-dia, a manutenção de posturas adequadas, em casa, no trabalho, no esporte e no lazer é essencial. Mais para a frente estaremos abordando formas de prevenir os "problemas de coluna", incluindo a hérnia de disco e outros mais.

Um abraço!



Referências Bibliográficas:
MAGEE DJ – Orthopedic physical assessment – 5a. edição, Saunders-Elsevier, 2008.
HALL CM, BRODY LT – Exercício terapêutico na busca da função – Guanabara-Koogan, 2001.
MCGILL S - Low back disorders - evidence-based prevention and rehabilitation - Human Kinetics, 2002.


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