Dicionário de Lesões

. Ciática ou Dor Ciática
Dor ciática significa dor que tem origem no nervo ciático. O nervo ciático se origina de raízes nervosas das colunas lombar e sacral, e desce pela região glútea e parte posterior da coxa até aproximadamente a região do joelho, onde se divide dando origem a outros nervos. Se em algum desses pontos ele for comprimido, ele pode gerar uma dor que se localizará não somente no local da compressão, mas poderá se irradiar pelo trajeto do nervo. Dessa forma, uma hérnia discal que comprima o nervo pode gerar dor não somente nas costas, mas também ao longo da coxa, perna e pé. A dor ciática é um tipo de radiculalgia, ou dor radicular.
- dor ciática nem sempre vem da coluna: saiba mais sobre a síndrome do piriforme

. Condromalácia Patelar
Condromalácia patelar é o amolecimento da cartilagem patelar, tecido que recobre a patela (o pequeno osso que temos à frente do joelho) e permite com que ela deslize facilmente ao dobrarmos ou esticarmos o joelho. É o primeiro grau de um processo degenerativo da cartilagem.

A dor muitas vezes atribuída à condromalácia não se origina da cartilagem, mas da dor patelofemoral (ver abaixo), que surge da sobrecarga de estruturas ao redor da patela.
- lesões na corrida - parte 3 - dor patelofemoral e condromalácia
- o que é a condromalácia patelofemoral?


. Contusão muscular
Contusão é a lesão muscular que se origina de uma pancada ou batida. Uma “paulistinha” (joelhada na região lateral da coxa”) é o exemplo clássico de uma contusão.


. Dor muscular tardia
A dor muscular tardia é uma dor na musculatura cujo início se dá de 24 a 48 horas após a realização de um esforço físico relativamente intenso, e pode durar até aproximadamente 48 horas. Sua origem está em microlesões na musculatura, das quais os músculos se recuperam sem maiores problemas.


. Dor Patelofemoral
A dor patelofemoral é a dor de joelho que se origina da movimentação incorreta da patela na tróclea femoral. Ela ocorre devido à sobrecarga de diversos tecidos, como do retináculo (extensões da fáscia que se ligam ao joelho), da membrana sinovial (envoltório de tecido ao redor da articulação do joelho) e do osso subcondral (osso logo abaixo da cartilagem).
lesões na corrida - parte 3 - dor patelofemoral e condromalácia

. Entorse de Tornozelo
O entorse é a lesão dos ligamentos do tornozelo. Geralmente ocorre o entorse em inversão (que é um movimento do pé para dentro, de forma que a região de cima do pé fica encostada ou aproximada ao chão). Nessa condição se machuca principalmente o ligamento talo-fibular anterior. Nos entorses de eversão se machuca o ligamento deltóide.


. Estiramento Muscular
O estiramento muscular, muitas vezes também conhecido como distensão muscular, é a lesão muscular que ocorre devido ao “esticar” excessivamente o músculo. Freqüentemente, ele ocorre durante as contrações excêntricas (o músculo se estica durante uma contração muscular. Um exemplo de contração excêntrica é quando estamos tentando segurar um peso muito grande com os cotovelos dobrados, mas por mais que façamos força, o peso é muito grande e nosso cotovelo acaba esticando).

Existem 3 graus de estiramento muscular. No 1º grau ocorre somente uma ruptura microscópica das fibras do músculo. No 2º grau ocorre uma ruptura parcial e no 3º grau uma ruptura total.


. Fasciíte Plantar
A fasciíte plantar é uma inflamação crônica da fáscia plantar, um tecido que está na sola do pé e que ajuda na manutenção do posicionamento das articulações do pé. Devido à sobrecarga que a fáscia recebe durante as atividades, especialmente em praticantes de corrida ou pessoas com sobrepeso, ela pode desenvolver a fasciíte. O principal sintoma é a dor da sola do pé ao apoiá-lo durante o primeiro passo do dia, logo após se levantar da cama.
- fasciíte plantar - um tratamento eficaz
- lesões na corrida - parte 2 - fasciíte plantar
- tratamento para fasciíte (faceíte) plantar - Vídeo - só para fisioterapeutas



. Fraturas de Stress
As fraturas de stress são fraturas que se iniciam por uma sobrecarga mantida ao longo do tempo, diferentemente das fraturas traumáticas, nas quais um único evento (como uma pancada muito forte ou uma queda) causa a fratura.

Exemplos de fraturas de stress são fraturas de stress do osso da perna, que normalmente acometem corredores de longa distância, e fraturas de stress nas costelas, que podem acometer remadores.
- lesões na corrida - parte 5 - síndrome do stress tibial, fraturas de stress e síndrome da banda íliotibial

. Hérnia de Disco
Hérnia de disco é o extravasamento do núcleo do disco intervertebral para fora dele. A hérnia geralmente acontece na coluna lombar, e a geração de dor se deve principalmente à compressão de estruturas nervosas e ligamentos pelo líquido. Os sintomas de uma hérnia de disco na coluna lombar podem ser dores na região da lesão como dores mais abaixo, na coxa, perna e pé.
- hérnia de disco

. Lesão de Menisco
Os meniscos são estruturas discóides que se localizam na articulação do joelho. Servem para a diminuição do impacto e melhoria do encaixe do fêmur na tíbia. Temos dois meniscos em cada joelho, o lateral (localizado na região externa) e o medial (na região interna). Eles podem se lesar especialmente em situações onde existe uma forte força de compressão sobre eles, o que se faz em situações de desaceleração ou mudança de direção numa corrida, amortecimento de um salto e similares. Embora eventualmente a reabilitação dessas lesões possa ser feita sem cirurgia, em pessoas ativas ou que estejam com dores importantes, costuma ser realizada cirurgia.
- o menisco e suas lesões

. Lesão do Ligamento Ulnar do Cotovelo
Na região interna do cotovelo existe o ligamento ulnar, cuja função é limitar os movimentos de abertura pra fora, ou lateralização do cotovelo. Esse ligamento costuma se lesionar de duas maneiras. Uma maneira, aguda, envolve uma sobrecarga brusca no ligamento levando a sua ruptura. Um exemplo disso são algumas chaves de braço das artes marciais (como exemplo, a chave americana do jiu-jitsu). Esse ligamento também pode se machucar devido a esforços repetitivos. Um exemplo é no caso de arremessadores de beisebol, que repetem o gesto de arremesso centenas de vezes por treino. Essa repetição contínua vai machucando aos poucos o ligamento, até gerar uma ruptura.


. Lesão dos Ligamentos cruzados (LCA e LCP) 
Os ligamentos cruzados são o Ligamento Cruzado Anterior (LCA) e o Ligamento Cruzado Posterior (LCP). Eles têm esse nome pois se cruzam dentro da articulação do joelho. Ambos são importantes para a estabilidade do joelho. O LCA impede que a tíbia (osso da perna) deslize para frente, enquanto o LCP impede que a tíbia deslize para trás. O LCA, especialmente, é muito importante para dar firmeza ao joelho quando realizamos movimentos de girar sobre o pé apoiado, como nas situações em que mudamos de direção repentinamente durante o esporte.

Existem 3 graus de lesão dos ligamentos. O 1º é o estiramento do ligamento, com ruptura microscópica. O 2º grau é a ruptura parcial e o 3º é a ruptura total. Em esportistas a ruptura total do LCA é, freqüentemente, obrigatória. Já a do LCP nem sempre.

Geralmente o LCA é lesado quando o praticante de esporte girar o corpo sobre o joelho excessivamente, embora também possa acontecer de se lesar fazendo com que a tíbia deslize em excesso para frente, como num chute no ar. O LCP em geral se lesiona quando é recebida uma pancada na frente da perna, próxima a região do joelho, o que faria a tíbia deslizar para trás (um exemplo é num “tackle” de rugby ou futebol americano).


. Pubalgia
A pubalgia é a inflamação na região da sínfise púbica. Geralmente isso ocorre devido a microlesões que ocorrem devido ao esforço excessivo de músculos que estejam conectados a essa região. É uma lesão relativamente freqüente em jogadores de futebol, já que o gesto de chutar uma bola necessita do esforço da musculatura da região interna da coxa (adutores) quanto dos músculos abdominais, todos músculos que se conectam nessa região.


. Radiculalgia ou Dor Radicular
É a dor que se origina da compressão de nervos ou raízes nervosas. Tem como característica ser uma dor aguda ou lacinante, que pode vir acompanhada de sensações como formigamento, queimação e/ou perda de sensibilidade.


. Síndrome do Desfiladeiro Torácico
Síndrome do Desfiladeiro Torácico é o conjunto de sintomas decorrentes da compressão de nervos e vasos sanguíneos que vêm da região do pescoço e passam pela região de trás da clavícula em direção ao braço. Os sintomas podem incluir dores, formigamento e perda da sensibilidade que podem ocorrer na região do pescoço, braço, antebraço e mão, e sintomas de origem circulatória, como adormecimento e/ou frieza. A compressão ocorre, mais freqüentemente, nas regiões do pescoço, entre a clavícula e a costela ou na região do músculo peitoral menor.


. Síndrome do Impacto
Síndrome do Impacto é o conjunto de sinais e sintomas decorrentes da compressão do osso do braço, o úmero, no espaço subacromial, a região do ombro logo abaixo do acrômio (acrômio é uma proeminência óssea da escápula). Nesse espaço subacromial passa o tendão do músculo supraespinhal, um dos músculos que ajuda na elevação do braço, e também existe a bursa subacromial (a bursa é um acolchoado de água que facilita o deslizamento de outras estruturas, como os tendões).

Na síndrome do impacto, devido a realização do movimento de levantar o braço de forma inadequada, o úmero, que normalmente precisa ser puxado para baixo antes de ser levantado para que não haja o “impacto”, sobe e comprime o espaço subacromial, e assim os tecidos que lá estão, ou seja, o tendão e a bursa. Devido à lesão que começa a acontecer nesses tecidos (especialmente em relação ao tendão, a bursa nem sempre é afetada) as dores podem se intensificar. Geralmente, a dor é sentida ao levantar o braço, especialmente quando este passa pelos ângulos entre 60º e 120º.


. Síndrome do Piriforme
A síndrome do piriforme é uma condição de dor associada à compressão do nervo ciático pelo músculo piriforme. Isso acontece pelo fato desse nervo, formado por raízes nervosas lombares e sacrais, passar pela região do músculo piriforme, e acabar sendo comprimido pelo músculo, gerando dores que podem estar presentes desde a região das nádegas até o pé, no lado em que há a compressão.

Duas situações podem gerar a compressão, uma delas é o excesso de tensão do músculo, e a outra é o seu alongamento excessivo.
- dor ciática nem sempre vem da coluna: saiba mais sobre a síndrome do piriforme

. Síndrome do Stress Tibial
A síndrome do stress tibial é uma periostite, e geralmente acontece ou na região anterior ou na região interna do osso da perna (tíbia). Periostite é a inflamação do periósteo, tecido que recobre os ossos. Ela ocorre pois a cada vez que os músculos se contraem, geram uma tensão no periósteo. Isso ocorrendo repetidas vezes como, por exemplo, durante uma corrida de longa distância, eventualmente supera a capacidade do corpo de tolerar a sobrecarga, iniciando o processo inflamatório. A síndrome do stress tibial pode, por vezes, levar a uma fratura de stress.
- lesões na corrida - parte 5 - síndrome do stress tibial, fraturas de stress e síndrome da banda íliotibial

. Tendinites
As tendinites são condições de dor cuja origem é a desorganização das fibras do tendão, as quais em situações ideais são paralelas umas às outras, mas devido ao repetitivo esforço e sobrecarga excessiva, sofre microlesões (lesões microscópicas, um acontecimento comum durante a prática de exercícios, que normalmente não promove conseqüências, exceto quanto não há descanso ou há um excesso de sobrecarga imposta ao corpo) e, quando não se recupera adequadamente dessas microlesões, gera a desorganização do tecido. O termo mais atualmente utilizado para o que anteriormente era definido como tendinite, é tendinopatia, que significa doença do tendão, enquanto tendinite significava inflamação do tendão. Isso passou a acontecer pois, embora as tendinites pudessem até se iniciar através de um processo inflamatório, após esse início o que se observava era que ela era mantida sem se caracterizar como inflamação e sim como uma desorganização do tecido.

Alguns exemplos de tendinites são a tendinite de Aquiles, a tendinite de Quadríceps e a tendinite do Bíceps Braquial.
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- tendinopatia patelar - um tratamento eficaz
- tendinopatia de quadríceps - comparação entre o treinamento concêntrico com o concêntrico
- tendinite de aquiles - um tratamento eficaz
- tendinopatia patelar: tratamento conservador vs tratamento cirúrgico
- tendinopatia patelar: comparação entre o treinamento concêntrico com o excêntrico em seu tratamento
- tendinite insercional de aquiles  - um tratamento eficaz




Referências Bibliográficas:
MAGEE DJ – Orthopedic physical assessment – 5ª edição, Saunders-Elsevier, 2008.
GREVE JMDA – Tratado de medicina de reabilitação – 1ª edição, ed. Roca, 2007.
PLACZEK JD, BOYCE DA – Orthopaedic physical therapy secrets – 2ª edição, Elsevier-Mosby, 2006.
MAITLAND G et al – Maitland’s vertebral manipulation – 7a edição, ed. Elsevier Butterworth-Heineman, 2005.
SCHAMBERGER W – The malalignement syndrome – ed. Churchill-Livingstone, 2002.
KENDALL FP et al – Músculos, provas e funções com postura e dor –  4ª edição, ed. Manole, 1995.
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