sexta-feira, 10 de junho de 2011

Lesões na Corrida - Parte 6 - Considerações Finais



Como foi mencionado no início do texto, pode-se dizer que as lesões de “overuse” que podem acometer praticantes de corrida envolvem uma relação entre a sobrecarga imposta ao corpo da pessoa, e a capacidade do corpo dessa pessoa de tolerar tal sobrecarga. O termo sobrecarga nada mais é que a carga imposta ao organismo durante aquela atividade. No caso da prática da corrida, ela é relacionada principalmente à distância percorrida (numa sessão de treino ou numa semana), à velocidade em que tal distância é percorrida e na freqüência de treinamento (quantos dias você treina por semana e no intervalo entre os dias).

A capacidade do corpo de tolerar a sobrecarga que lhe é imposta vai depender do quão preparado o corpo está, e nesse momento é que mencionamos o treinador profissional de corrida. O corpo não será capaz de tolerar uma distância para a qual ele não foi preparado, e o resultado será o aparecimento de uma lesão. Esse profissional elaborará um programa de treinamento que visa, progressivamente, melhorar a capacidade do corpo do praticante em tolerar a sobrecarga imposta, de forma que possa correr maiores distâncias, em maiores velocidades, com segurança. Além disso, ele poderá orientar o praticante na escolha do calçado, dos trajetos de treinamento (e locais para praticar a corrida), nos tempos de descanso e na hidratação, além de outros fatores pertinentes à essa modalidade esportiva.


Existem outros fatores podem estar influenciando a capacidade de tolerar a sobrecarga imposta ao corpo. A partir da demonstração de que um mesmo desvio (pisada pronada) pode ter diversas origens, estaremos apresentando alguns desses fatores abaixo:

  • desalinhamento postural:

nas pesquisas científicas existem muito poucas evidência de que a má postura predisponha a lesões. Entretanto, podemos considerar que uma má postura traga conseqüências, pois uma região com má postura vai estar sobrecarregando ou tensionando um lado mais do que o outro. Uma pessoa que tenha um pé pronado, por exemplo, tende a ter os tecidos (músculos, ligamentos, tendões, pele) da região interna do pé mais esticados que aqueles da região externa, os quais estariam mais aproximados ou comprimidos. Esse hábito postural sendo mantido pode, dentre outras coisas, promover a fraqueza dos tecidos da região interna e o encurtamento (aproximação) dos tecidos da região externa.




Essa alteração postural pode levar a alterações de movimento, conforme veremos a seguir.

  • alterações de movimento:

seguindo o exemplo do que foi falado, a pisada pronada pode se originar da alteração postural, que é o pé pronado. A cada vez que ela pisa durante a corrida, os tecidos da região interna da perna se esticam rapidamente pois não há controle ou freio adequado sobre o movimento de pronação. O esticar desses tecidos pode gerar sobrecarga no osso (além de nos próprios tecidos), podendo contribuir para o surgimento de futuras fraturas de stress, por exemplo.

  • falta de força muscular:

ainda utilizando o mesmo exemplo, se não tivermos a musculatura do pé, do joelho e do quadril fortes o suficiente, elas não conseguirão controlar adequadamente o movimento de pronação, levando à pisada pronada (tanto os músculos do pé, como do joelho e do quadril ajudam no controle do movimento. Se eles não estiverem funcionando adequadamente podemos ter desvios na realização dos movimentos). As possíveis conseqüências são similares, como a fratura de stress mencionada.

Além disso, condicionar a musculatura através de exercícios de força promove um maior fortalecimento não só de músculos, mas também de tendões, ossos, cartilagem, etc. Seu corpo todo tende a ficar mais forte, e isso ajuda a prevenir lesões.

  •  falta de elasticidade muscular:

a falta de elasticidade da musculatura dificulta os movimentos. Uma pessoa que tenha os músculos da panturrilha muito presos tenderia a posicionar o pé no chão apontando para fora durante a corrida. Isso favoreceria uma pisada pronada conforme vimos acima.

  • alterações da estrutura óssea:

caso uma pessoa tenha uma perna mais comprida que a outra haveria uma assimetria de forças atuando nos dois lados do corpo. Além disso, o pé da perna comprida possivelmente vai ficar pronado. E isso vai favorecer uma pisada pronada durante a corrida.

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Esses são alguns exemplos de fatores intrínsecos, pois se referem ao corpo do indivíduo, e não ao ambiente externo, como o local da corrida, a roupa que usa, a temperatura – esses seriam fatores extrínsecos - que podem aumentar a possibilidade de ocorrer uma lesão. É importante ressaltar que o assunto - lesões na corrida - está longe de ser esgotado. Não só existem muitas outras lesões que acontecem na corrida, como diversas outras causas. Aqui nos focamos em alguns fatores mecânicos, deixando de lado diversas outras coisas, como fatores ambientais, genéticos, nutricionais, dentre outros.

A mensagem que fica é a de que, embora a relação entre sobrecarga imposta ao corpo e sobrecarga tolerada pelo corpo seja o conceito fundamental para se entender o surgimento das lesões, outros fatores influenciam a capacidade do corpo de tolerar a sobrecarga imposta. O ideal é que a prática seja acompanhada por um profissional de corrida (lembre-se, o professor de corrida deve ter formação universitária em Educação Física), que através do treinamento progressivo, vai permitir com que o corpo crie condições de agüentar as maiores sobrecargas, e assim minimizar a possibilidade de ocorrerem lesões. 


<<< parte 5

2 comentários:

  1. Olá muito bom seu blog ja estou seguindo. abraços
    http://blogandodemadrugada.blogspot.com/

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  2. Oi Gabriela,

    procuramos sempre produzir artigos interessantes e de qualidade.

    Creio que o fato de você ter gostado significa que estamos conseguindo isso.

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    Claudio

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