domingo, 4 de novembro de 2012

Alterações anatômicas do antepé e do retropé – valgo ou varo

fig.A: visão posterior de um pé esquerdo,
 com antepé (linha vermelha)
 e retropé (linha amarela) em alinhamento

Conceitos básicos
O antepé inclui os ossos metatarsos e as falanges dos dedos. É a região “da frente” do pé.

O retropé é a região “de trás” do pé, e é composto pelos ossos do tálus e do calcâneo, sendo que inclui a articulação subtalar.


Numa pessoa com alinhamento normal dessas duas regiões do pé, a linha anterior (mensurada na cabeça dos metatarsos) está paralela à linha do calcanhar (fig.A).

Porém algumas pessoas apresentam variações. Vejamos a seguir:
  • Antepé varo: região interna do antepé mais elevada que a linha do calcanhar (fig.1a)
  • Antepé valgo: região externa do antepé mais elevada que a linha do calcanhar
  • Retropé varo: região interna do calcanhar mais elevada que a região externa
  • Retropé valgo: região externa do calcanhar mais elevada que a região externa

 Essas são alterações da estrutura anatômica, ou seja, não são posturais, e sim relacionadas ao formato dos ossos.

Quais as conseqüências?
As alterações anatômicas favorecem alterações da pisada que influenciam, primariamente o pé, mas cujos efeitos podem, eventualmente, ser sentidos nas articulações mais acima.

As conseqüências das alterações anatômicas mencionadas serão percebidas principalmente na fase de apoio médio do pé, ou seja, durante a caminhada, ou corrida, no momento em que o pé se aplaina no chão.

No caso do antepé varo, a região interna que está elevada vai ter que se apoiar no chão. Não há jeito adequado de caminhar ou correr (apoiando a sola do pé) sem que ela se aplaine. E isso vai ocorrer, mas terá como conseqüência um aumento da pronação do tornozelo, que ocorrerá a partir do calcâneo (calcanhar) ou do tálus (fig.1b).


No antepé valgo ocorre o contrário, ou seja, uma tendência à supinação. A região lateral do pé deve tocar o solo também, e quando isso é feito para que o pé fique plano no solo, temos uma posição de supinação no tornozelo (fig.2b).



No caso do retropé varo, a tendência é que ocorra um aumento da pronação, a não ser que o pé seja bastante rígido. O que pode se observar é que o calcanhar pode vir a assumir um alinhamento vertical no apoio do pé, mas isso vai ocorrer com uma compensação no tálus, que terá de ir para uma posição de pronação do tornozelo. Ou seja, por mais que aparentemente o calcanhar esteja alinhado, o osso logo acima (tálus) estará em uma posição limite de pronação. Eventualmente, essa posição pode ser chamada de retropé varo compensado (fig.3b).

Ou seja, todas essas condições favorecem uma pronação excessiva (pisada pronada) e precoce, ou uma supinação excessiva (pisada supinada) e precoce.



OBS: nas figuras estão demonstrados a tíbia (osso da perna), logo abaixo, o pequeno osso é o tálus, e logo abaixo o calcanhar. O antepé é representado pela linha horizontal abaixo, sendo que o dedão (à esquerda) e o quinto dedo  (à direita) são representados.

Referências Bibliográficas:
SAHRMANN et al – Movement impairment syndromes – considerations for acute and long term management – Elsevier-Mosby, 2011.
MAGEE DA – Orthopedic physical assessment – 5ª edição, Saunders, 2008.
HALL CA, BRODY LT – Exercício terapêutico na busca da função – Guanabara-Koogan, 2001. 

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